O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça realizou nesta sexta-feira (15/5) uma reunião reservada com investigadores da Polícia Federal responsáveis pelas apurações da Operação Compliance Zero, investigação que mira um suposto esquema de pagamento de propina, lavagem de dinheiro e tráfico de influência envolvendo o Banco Master e empresários ligados ao mercado financeiro.
O encontro ocorreu poucos dias após a divulgação de um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material, revelado pelo portal Intercept Brasil, intensificou a pressão sobre as investigações que já tramitam no STF e ampliou o interesse da Polícia Federal sobre a movimentação de recursos milionários associados ao grupo empresarial.
Segundo informações discutidas durante a reunião, investigadores trabalham com a hipótese de que parte dos valores negociados teria sido usada em operações de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro. A suspeita mais delicada analisada pela corporação envolve um possível direcionamento de recursos para fins políticos, incluindo eventual financiamento de uma futura campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
O áudio revelado mostra o senador solicitando apoio financeiro ao empresário Daniel Vorcaro. O montante citado chega a R$ 134 milhões e teria como justificativa oficial a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, investigadores consideram que o projeto audiovisual pode ter servido apenas como estrutura formal para movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Durante o encontro no STF, André Mendonça também foi apresentado à nova coordenação da Operação Sem Desconto, investigação paralela que apura possíveis fraudes e desvios relacionados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A mudança no comando da força-tarefa ocorre em meio ao avanço de diferentes linhas investigativas envolvendo operadores financeiros, agentes públicos e empresários.
Nos bastidores da Polícia Federal, a avaliação é de que as novas provas podem ampliar significativamente o alcance das investigações. Integrantes da corporação analisam documentos bancários, contratos, registros de transferências financeiras e mensagens trocadas entre investigados para identificar se houve utilização irregular de estruturas empresariais para mascarar repasses de recursos.
O caso também aumentou a tensão no meio político em Brasília, especialmente porque Flávio Bolsonaro é apontado como um dos nomes cotados dentro do campo conservador para disputar a Presidência da República em futuras eleições. A repercussão das revelações gerou movimentação entre aliados e opositores, enquanto o STF acompanha os desdobramentos das apurações conduzidas pela PF.
Até o momento, nem Flávio Bolsonaro nem Daniel Vorcaro comentaram oficialmente as suspeitas relacionadas ao possível uso político dos recursos investigados. A expectativa é de que novas diligências sejam autorizadas nos próximos dias, incluindo análise aprofundada de movimentações financeiras e possíveis depoimentos de envolvidos no caso.
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