A relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, atravessa um dos momentos mais delicados do atual mandato. O desgaste político se aprofundou após a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), considerada uma derrota significativa para o Palácio do Planalto.
Nos bastidores, aliados do governo atribuem diretamente a Alcolumbre a articulação que levou ao revés no Senado. O episódio não apenas expôs fragilidades na base governista, como também acendeu um alerta sobre os impactos dessa crise em pautas consideradas essenciais para a estratégia eleitoral de 2026.
A cerca de cinco meses das eleições, o cenário preocupa integrantes do Executivo. Projetos prioritários, que vinham sendo tratados como vitrines políticas da gestão, correm o risco de sofrer atrasos ou até perder força diante da instabilidade na relação com o Congresso.
Um dos principais exemplos é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública. A proposta é vista como peça-chave na tentativa do governo de reforçar o discurso de combate à criminalidade, tema sensível e de grande apelo junto ao eleitorado.
Apesar de já ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados, a matéria está parada no Senado desde o dia 10 de março, aguardando despacho de Alcolumbre para definição do relator e encaminhamento da tramitação. O texto prevê maior integração entre forças de segurança da União, estados e Distrito Federal, além da inclusão do Sistema Único de Segurança Pública na Constituição.
A expectativa inicial do governo era garantir a aprovação ainda no primeiro semestre de 2026, criando espaço para explorar politicamente os avanços na área. No entanto, com o ambiente político deteriorado, não há previsão concreta de retomada das discussões.
Outro ponto sensível da agenda governista é a proposta que visa o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1 sistema em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter apenas um de descanso. A mudança é debatida por meio de uma PEC em tramitação na Câmara dos Deputados.
Paralelamente, o Planalto também encaminhou um projeto de lei alternativo em regime de urgência, na tentativa de acelerar o debate e demonstrar compromisso com pautas trabalhistas. Caso avance, o tema ainda precisará passar pelo Senado, onde o clima político atual pode representar um novo obstáculo.
Diante desse cenário, analistas avaliam que a crise entre Executivo e Legislativo tende a impactar diretamente o ritmo das votações e a capacidade do governo de transformar propostas em resultados concretos. Mais do que uma disputa institucional, o embate com Alcolumbre pode redefinir prioridades e influenciar o desempenho político do governo no período pré-eleitoral.
Enquanto isso, o Planalto busca alternativas para recompor sua base e retomar o diálogo com lideranças do Congresso, ciente de que a governabilidade e o avanço de sua agenda dependem, cada vez mais, de articulação política eficiente em um cenário de crescente tensão.
Caso Marielle Moraes vota para tornar réus ex-chefe da Polícia Civil e delegado acusados de obstruir investigações do assassinato de Marielle
BASTIDORES DO PODER Áudio envolvendo Flávio Bolsonaro faz André Mendonça se reunir com investigadores da PF no STF
CARREIRA MC Brinquedo abandona o funk após conversão religiosa e anuncia fim da carreira
ELEIÇÕES 2026 Prazo final se aproxima: eleitores têm 10 dias para regularizar título e garantir voto em 2026
Congresso PEC do fim da escala 6×1 enfrenta impasse sobre compensação e pode atrasar votação na Câmara Mín. 21° Máx. 36°
Mín. 22° Máx. 34°
Parcialmente nubladoMín. 22° Máx. 35°
Tempo limpo


